Café da manhã

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Com acompanhamentos que variavam conforme o local em que acordava ou as frutas da estação, o café da manhã era sempre um comprimido de Neosaldina. Desde a adolescência, questão hormonal, jurava sempre, tinha dores de cabeça pela manhã. Fez exames, tratamentos, até usou óculos, mas a solução era sempre a Neosaldina. Com água, café, suco, chá, Coca-cola ou nada, Neosaldina.

Em viagens, levava o suficiente da dose diária e assim se organizou para a longa temporada no exterior, a trabalho, em cursos de aprimoramento. No aeroporto, a interjeição:

Não pode levar remédio.

Preciso dele.

Quem disse?

Tomo há anos.

Tem receita?

Esse remédio não precisa de receita. Tem gente que nem considera remédio.

Então não precisa levar.

Preciso sim.

Nessa quantidade?

Um por dia.

Nessa quantidade é tráfico.

Quem disse?

Estou exercendo minha função e digo que não pode.

Mas é pra uso pessoal.

Não pode levar.

Naquele instante abriu as caixas contando cada dia da viagem e ingeriu os comprimidos um a um imaginando que poderia dormir até mais tarde por já ter tomado o café da manhã.

Gustavo Burla

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