Michael Jackson no metrô

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As teorias da conspiração estavam certas, ele não morreu, estava no metrô de Paris e Billy Jean vinha em sua terceira estrofe quando a porta abriu. O vagão parecia lotado, mas estava apenas cheio, e Michael, em sua versão com camisa florescente, tênis azul e vermelho e microfone imaginário conseguiu seu lugar ao lado do carrinho com a caixa de som do playback.

Passinho pra cá e pra lá, as pessoas dividiam-se entre virar pro lado, comentar baixinho ou esconder o riso e ele seguia dizendo que Billy Jean não era sua amante. Uma quatrocentona parisiense típica levantou-se enquanto o trem diminuía para a próxima estação e o carrinho do som estava no caminho. Ela esticou a mão para Michael, que recebeu as moedas, tirou o carrinho e ela esperou a porta abrir enquanto sacudia a cabeça no ritmo da música.

Diante do fato de que o menino não era seu filho e o trem seguia, Michael gritou everybody e os risos contidos escaparam, a alegria daquele pedaço do vagão mostrou que um dos viajantes filmava a ação do rei do pop com o celular. Sem mais que dois passos para o Moonwalker, girou, esticou braços e cantou mesmo na parada seguinte, quando os olhares sempre baixos para livros, jogos, chats, revistas, regaços cruzavam-se.

Pelas paradas, os sorrisos foram saindo e se transformaram em histórias para os amigos, no vídeo para os colegas de trabalho, na música procurada em casa ao chegar, na peça de teatro a ser escrita e nas lembranças toda vez que fosse entrar naquele carro do metrô.

Gustavo Burla

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