Negócio aftado

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Acordou para a viagem de negócios com o pior problema que poderia: afta. Para outros (gripe, ressaca, saco cheio…) já encontrara soluções nos anos de trabalho, mas para este, exceto cancelar tudo (inviável!), não havia fuga.

Levantou mais tarde, sabia que não conseguiria comer de manhã, mas não podia fugir do almoço com os parceiros da empresa. Enquanto comiam, discutiam os planos para a reunião da tarde no salão de exposições. A boca se movia o tempo todo.

Mal teve tempo para bochechar um remédio e já estava apertando mãos, sorrindo ardentemente e falando com clientes e potenciais compradores até a noite não ser mais uma criança. Despedia-se da maioria quando foi convidado para o previsto jantar que encerraria negociações.

Boca queimando, mal sentia o gosto da comida entre as falas, mas não poderia negar um prato sequer: o convite veio do dono do restaurante, cujo bar fechava mais tarde do que ele gostaria.

No silêncio da madrugada, chegou ao hotel, cumprimentou o recepcionista de tantas viagens conhecido e lamentou o dia tenso com afta: não sei se consigo resolver esse problema a essa hora da noite, mas vou tentar pro senhor.

Em poucos minutos tocou a campainha do quarto. A porta abriu-se para a mais bela mulher que ele vira fora das páginas com Photoshop: faço tudo, menos beijo na boca.

Gustavo Burla

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