Cinco doses

Padrão

Para Leo, Pedro, Pedro, Tó e Vinicius

No dia em que comi poesia, pensei ter tido uma indigestão. Os versos me borbulharam as entranhas e vazaram pela boca, pelos dedos, pelos olhos, pelos poros. Jorros de palavras que não cabiam em mim.

Na emergência, pedi um remédio para o estômago.

– Comi um quilo de poesia e acho que não caiu bem, doutor.

– Poesia nunca faz mal – e me receitou melodia.

– Mas isso não é pro estômago, doutor; é pro ouvido.

– Tome cinco. A seco.

Nesse dia, virei canção.

Táscia Souza

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